sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

EM VERSO OU PROSA



Sei que diferentemente do que você pensa
Eu não sou mero personagem que você pode prever as ações
Sou eu mesmo quem escrevo minhas coisas

Instrumento a mão
Ou seria uma arma?
Não se deve saber
Somos iguais eu sei
Mas sempre sou eu quem acrescenta os pontos finais
E corrige todos os enunciados

Em versos
Ou prosa

Eu não quero continuar essa história mal escrita
que você quis começar de novo
Esse chocolate meio amargo não agrada os leitores
Lá de casa
Eu posso continuar com isso de pensar em nós por um longo tempo
mas é hora das coisas se encaixarem
finalmente


Em Verso
Ou prosa

Amanhã ta combinado
Com uma amiga de tempos
De uma ida ao shopping
Vou tentar encaixar as coisas manualmente
Seja
Em verso ou prosa.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

NEM POR MIM NEM POR TI NEM POR MADALENA



Não quero mais escrever cartas atômicas
Prontas para explodir em suas mãos
Se bem que você merece

Quanta covardia você teve perante a sinceridade
E eu?
Nem mentindo
Nem escondendo
Nem mais nada além do sentimento maior
Porém nulo agora

E ainda deixo algo aqui
Como um flor miúda num tumulo
De alguém que a lembrança exige
Deixo meu adeus eterno
Deixo a certeza junto com a essa despedida
De um nunca mais, redondo e grande com o sol
E eu nem ousaria escrever sol
Neste poema

Vejo você longe
Agora
Muito longe
Longe demais
Adeus.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

CANÇÃO FEITA POR ELA




Sendo doce ou amargo,
Penso; escrevo e te passo
Nessa vida escrita sem razão
Só há dois
Mas só Um parece dar atenção
Riscando traços feios no espelho
Somando sentimentos que não podem se contados
Pelo coração.

Nesse paradoxo
A Tua roupa é uma embalagem
Que tiro, descasco
Sinto o teu cheiro, tua textura
pra eu ficar sozinha comigo
pensando em ti

Mas se você não vem, eu mudo as regras
Estabeleço novas metas para um novo amor
Outra paixão
Escrevendo o novo no velho
Para não se ser só

E não posso esperar
meu corpo: página em branco quer autor
pra desenhar prédios, riscar o nome e depois
rasgar
assim mesmo como acontece
nos mais íntimos processos de criação
numa letra para não se ouvir só.
domingo, 25 de dezembro de 2011

PERSONAGEM


Ela não
Ela não vai
porque não quer e nunca quis
Desde de os dez anos quando escreveu sua carta de alforria
Endereçada aos seus pais
E ela sai
sai
sai
Mas ela sorri

Sempre atrás de uma boa história
Poderia ser uma personagem de Simone de Beauvoir
Ou a própria Simone constando no documentos falso
Que ela comprou
Ela vai
E vai
 vai
Mas ela ainda sorri

De manhã pedi um março de cigarro
e um sonho de valsa
Olha o céu e diz como a lua está bonita para um estranho
Que a leva para cama
Ele a leva
E ela vai
E vai
E ela vai
Mas sorri

Indo
Indo
Indo
Mas ela sorri

Se fica cansada toma um guaraná
Se fica triste é de chocolate
Para que parar de pensar se a vida pede ação

Ela dorme na torre mais alta do castelo de cristal
Ainda é mesma menininha pedindo para o príncipe
Lhe salvar
E ela vai noite adentro
Com o mesmo olhar
Triste e sorrindo
Ela vai
Ela vai
Mas sorri

Se fica cansada pode não ser ela mesma
Sendo outra pra substituir
Por menos ela nem era ela
Mas ela vai
Vai
Vai
Mas ela sorri

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

KE-CI



a neve italiana insiste em cair em solo brasileiro
solo que se perdeu pela europa
é dela que eu tô falando.

a boca que anda suja de outras línguas
a língua materna,
língua mãe mãinha
ficou aqui
e quer a filha de volta

ela escreve uma carta,
manda postais
mas a lembrança do seu pai a tira lágrimas numa noite em paris
ou seria em londres?

manda beijos pelo correio que vem de avião
e o outros
pela internet

mas ela insiste em sorrir na neve
a neve branca de alma escura
que inutilmente consegue esfriar o seu coração
de território brasileiro. 

sábado, 17 de dezembro de 2011

TÃO DE LONGE


Tem uma amiga que vive longe

e sabe que dentro de mim tem ela.
E dentro dela tem eu.
O nome dela eu não digo.

Mas ela diria o meu.

O meu bem tá no Rio, acho que se afogou por lá
Ou sou que quem o afoga

O que eu sou?
Respondo: teimoso
E suja tudo aqui
A liberdade que vive em mim é grande feito uma baleia
Ou um dinossauro
Uma baleia ou um dinossauro preguiçoso
Com sono
Que hiberna

Tenho medo
Mas tenho mais coragem
E um punhal
Roubado do meu irmão que foi dado pelo meu pai
Eu o merecia
E o roubei
Sou um ladrão
Mais sujeira por aqui, né?!
Não leiam mais, não leiam.
Eu não posso seguir ou mostrar esses detalhes
Tão de dentro que são vermelhos
Que pingam e enche copo, pratos, baldes, cômodos, ruas, cidades
Inteiras.

Vou melhorar, vou tirar essa palavra do meio e por no título. 

TEMPO

tempo de crescer
tempo de correr

tempo de pegar mais tempo
tempo de perder o tempo

tempo que acelera a lavadeira que não tem tempo pra pensar no tempo

tempo de relógio pifado

tempo do passado, tempo, tempo do futuro

tempo mal conjugado

tempo de subir
tempo de subir mais

tempo de fica em cima vendo tudo que passou

tempo de pedir
tempo de negar

tempo pra respeitar
tempo pra nem ver
tempo de passar acelera tempo tempo
tempo
tempo

palavra: tempo.
tempos verbais
tempo pra morrer
tempo pra esquecer
tempo pra falar do tempo
tempo cantar tempo tempo tempo
tempo que quer tempo pra aumentar, mas se perde tempo
mais tempo ainda
mais tempo ainda.
a tempo tempo tempo que não pensava no tempo.

que tempo.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Por que esse olhar agora?
Se foste tu mesmo que procuraste a desgraça e humilhação.
Foste forte para levantar mundo de uma só vez.
Por que tremes diante da matriarca de mão dourada?

As ruas escuras que andaste,
Os becos e a solidão de dois
O espelho da casa vazia para se vê feliz
O grito gago, Lady Gaga mais gaga pelo não entendimento
Que diz o narrador que você não escuta:
É ilusão,
É ilusão.
Teu nome é uma canção que se escreve com o nome da cantora que a canta
É Gal
É Gal
Teu nome é Gal.

E tu?
Ainda!
Levanta. Não precisa ser ligeiro
Ligeiro pode ser só o bairro de uma amiga.
Tu podes ser outro adjetivo.
Um calmo. Teu. Sem cópias de Gagas que tiram o sono dos outros e marcam fotos feias, sujas.
Tu és depois disso. Em cima disso. Porque isso é feio, é breu.
E o breu não combina com você.
Você que brilha onde quer que esteja.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011

CONDENAÇÃO ROMÂNTICA


Exploro tuas curvas e contornos
Experimento as tuas texturas mais secretas
E depois acalmo teu corpo abalado
Por despertar os anjos caídos
Que uivam divinamente
Aquilo condenado pela religião tradicional

Tudo que em ti me cala também me condena
Teu perfil me condena
Tua boca, gulosa, me condena
Tuas costas nuas me condenam
Eu me condeno a ti:
Palavra desagradável:
Sentimento ridículo

Tu que és transporte
Ponte
E ao mesmo tempo estrada deserta
Eu só...
respiro a poeira que sobe a partir dos nossos movimentos
Ligeiros

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

PAREDE

Esse vídeo a baixo (Monica Salmaso cantando Beatriz) não deixou-me postar um texto onde se encontram as seguintes palavras:

Perfume
Verbo
Criança criativa
Não
Mais.




Desculpa do autor do Blog.

EU QUERO UM DOMINGO

Eu estou recortando sonhos
Quero semanas inteiras de domingo
Aqueles que fazemos tudo na primeira marcha
E só aquilo que queremos
Quero trabalho domingo
Amor domingo
Não o domingo Bethânia de força contida, resguardada
Quero Cecilia Meireles diante do mar
Com meus fones de ouvido numa música que me lembra mar
Eu e o mar
Pelados
Sal e liquido
E flora e fauna
E pesar das horas
Estas que não as quero contadas
Quero vividas.
Quero gerúndios absolutos
E os outros os errados gramaticalmente

E o amor
Se não presente ou vivo
Esteja guardado para o próximo viver
Que venha em um milênio ai
Onde eu seja eu de novo
Embora outro no espelho
Pois sou antes de um corpo novo, um sopro de alma
Que Deus achou bonito e soprou

terça-feira, 15 de novembro de 2011

HOMEM DEUS?

Deus está em tudo
Nos homens também
Que são todos a sua única imagem
Eu não perguntaria se Deus existe
Eu perguntaria a Deus se os homens existem
Deus com esse nome meio plural
Somos deuses?
Criamos também: edificamos pontes, arranceis, salvamos vidas... e as artes?
Existimos homens, Deus?
Olha com teu olho humano para mim e responde.
Pega a tua mão mortal e cansada de criar mundo e responde.
Sorri de experiência, por ser mais velho, num sorriso de sábio e responde.
Responde na tua fala mais humana, e mais materna possível
Reponde Deus,
Responde se existo.
Responde, antes que eu doido, delirando responda em teu nome,
Respondendo pela tua imagem, que é minha também,
Respondo e talvez erro
e talvez o mundo se acabe
de tanta blasfêmia.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O ALUNO



Bastou um sorriso
Falta anulada
O homem novo é bobo e dá aulas de inglês
Como pode se ele não tem boa dicção?
O aluno também não,
então ele fica calado e não reclama.
Mas pensa em reclamar.
O mundo é um mistério
de espelhos malditos.

ÁGUA PARA VIVER

O frio de maio começa.
Não é porque é o mês do meu aniversário,
O mês que sempre me diz para eu ser frio.

As folhas têm um cheiro bom,
queria ser uma folha,
cheirar bem, mesmo sem água para molhar, limpar, alimentar.
Eu que vivo me esquecendo, ao pensar em ti.

Deixa que amanhã eu vou pro mundo
Tomo banho, e coloco um perfume
cheiro de mato.
Afinal, folha molhada cheira mais e é melhor de se ver.
É quase junho.
domingo, 23 de outubro de 2011

POEMA MENTIROSO ROUBADO DE UMA AMIGA




Escrevo a mulher que insiste em continentes distantes paralelos
A vida que deixou exige seus direitos reconhecidos em cartório
Seu pênis azul de silicone
Seu pc de putaria leve
De filmes que passam na tv aberta

Ela levanta a mão, 
chama por um homem
Que não vem
‘teu nome, teu nome’
Delira:
‘vem amado me amar’
Ele não vem
Os pensamentos hediondos
Solidão presencial
Dando marteladas numa parede fria de Milão
O que mais? Não se sabes. Não se quer saber.
‘Tu vens?’
Não vem.
Não tem.
Não pensas mais.

A morte que se anuncia é em si, mas se vive
E vivendo não quer mais
Acabou? Tá acabando. Calma. Pronto. Acabou.

sábado, 8 de outubro de 2011

COMPRIDO



pequeno
o verso
que
versinho
se
afirma
e
nos
detém
ele
mesmo
assim
pequeno
no
seu
cantinho
do livro
fala
mais
que
o homem da cobra.

PRA SER PERTO DO TEU NOME


a parte que parte o resto do meu coração
é a parte que tem seu nome gravado
à laser, ou à lápis, ou à caneta
não sei,
era agosto
e eu e você estamos pelados sob todos os planetas e estrelas
e sistemas de ordem astrológica
e religiosa
porque se existe um céu de deus
se existe um inferno de satanás
eu te chamo para a glória
e pecado
que meu peito roga em oração
que apolo, nem afrodite, nem deus algum entenderia
nem o diabo no calor mais quente que sol
que é essa vontade louca e delirante de sentir
teu calor
teu corpo nu em cima do meu
teu peso

se a noite vem
vem o dia insistente
e eu te chamo

por que não vens?
seja
de ônibus
de moto, de carro
de avião
de burrinho de presépio natalino
que meu nome não quer outra coisa do que ser escrito
perto do teu
pra sempre
até que o julgamento final, ou o fim do mundo
por um bilhete teu, quando saís pro trabalho sem me acordar
desejando bom dia.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011

QUANTO QUE É?



quanto é que vale teu nome?
no mercado de pulgas de paris
quanto é que vale aquele bilhetinho?
que você fabricou pra mim
quanto é que vale o amor?
lá no afeganistão
quanto é que vale uma tabuada?
na era da informação
quanto é que vale e se é por quilo?
quanto que vale a solidão?
e a solução?
se tiver.

quanto é que vale um vale?
um vale de refeição.
quanto é que vale você?
você só de calção.

quanto é três,
vezes eu
vezes tu,
vezes ninguém?

quanto é que vale a dois?
se pra mim a três compensa mais, meu bem.
quanto é que vale assim?
se você só quer assado
quando vale para o fim?
se eu já estou cansado. 
quinta-feira, 29 de setembro de 2011

FOSTE TU MESMO QUEM ESCREVEU ISSO



e a palavra que derrama da boca da artista
solta para aqui em casa
e desmantela tudo
é desconcertante ouvir-se
na boca de alguém conhecido e desconhecido ao mesmo tempo: a artista.

tu no canal em entrevista
ao diabo talvez
seria tu
embora eu não existisse

mas eu
sem tu
seria outro
não esse outro aqui
que soma experiência
e guarda personagens
seria o próprio
como num poema de Cecília Meireles

e tu fica ai, na capital
do teu orgulho mesquinho
pensando em mim
em vão
não sou eu
não sou mais.

POEMA DESCONCERTADO



eu te dou meus sentimentos e
você
pisa neles como se fosse a cabeça de uma boneca de porcelana
da tua mãe dada de avó para filha por gerações

porque teu sorriso solto naquela noite
soltou os demônios mais profundos do meu peito
deus parou para ver o desmantelo
e eu
aqui sorrindo sem sobra
como um personagem francês que ama uma desconhecida
numa noite escura e fria e depois morre por ela

não era para ir tão longe
mas não pude evitar em usar as pontes
depois as escadas rolantes
e por fim a carona no teu carro
que nem era teu,
do teu pai
não teu
como eu
agora
embora
não
sendo
do
teu pai
nem seria.

ONDE ESTARÁS



percorro os espaços em busca alguma coisa que me lembre de você
mas não há
são outros os espaços
outros retratos que nãos os teus, da tua mãe, do teu cachorro – minto, porque tu nem tinhas
por que andastes pelos anéis de saturno?
se eras Apolo e Adônis
se tinhas um visto de certo no teu caderno da infância
e outro no de agora

porque se tu foi
se tu não há mais
se não insistes mais
eu não posso.

pego o ônibus
depois carona
depois regresso
e não estás.

mais que a vida que não tive
e que não quero mais
mais que o nome que não dei aquele filho que não tive
e não quero mais
tudo:
porque os escudos estão quebrados. 
segunda-feira, 12 de setembro de 2011

NÃO TEM TÍTULO OU TEM?


e essa vontade de te ligar e de dizer eu te amo
e essa outra
de se você não atender
dizer
pra mim mesmo
eu quero que você morra

se meu estomago fica nervoso
por sua causa
e
se
eu procuro você 

nas outras pessoas

depois 

que descobri que gosto
de ti
beijei
e
transei 

somente com você
mesmo que
sozinho
ouvindo
a Elis,
ou
com outras pessoas:
outras bocas,
outras mãos,
outras pernas,
outros sexos,
mas
sempre
você.

eu te amo,
e
que
o inferno
me espere
por tanta blasfêmia
e pecado.


domingo, 11 de setembro de 2011

É

você deveria me amar mais,
me babar mais,
me dar mais presentes,
ser mais presente ainda,
me olhar, e deixar que eu te veja mais
teu perfil, relevo, curvas
deverias sim paquerar comigo,
como fazem os namorados,
ou os pais com um filho novinho.
deverias ser, também, mais compreensível comigo
passando sempre a mão na minha cabeça
é
você mesmo,
deus.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011

PESSOAS LEGAIS NÃO DIZEM ‘EU SOU LEGAL’


você não entende nada, não é?!
eu sempre do seu lado,
do nosso lado.
e você não se lembra de todos os sentimentos
que foram usados sem camisinha
e me deixa com esse mau hálito de origem estomacal

é, meu corpo todo
denuncia que
não sei ficar nervoso

é tremedeira
estomago agitado
vômitos
crises
de garganta
de insônia

sou tudo aquilo que anuncio
nos mais algo das minhas (aparentes) ironias
e você?
insiste em ser legal,
legal.

e eu?...
o que mais?...
depois disso?...

só espero que o próximo avião caía em cima da sua cabeça,
que não sabe apreciar um poema lido
por um namorado. 
domingo, 28 de agosto de 2011

MEU BEM QUE É MEU MAL


eu não queria dizer
mas tudo em mim que me cala
chama pelo teu nome
meu ficar quieto num canto
chama teu nome
meu mau hálito estomacal
chama teu nome
meu parar de batucar nas coisas
chama teu nome

chama para ficar fazendo sei lá o que
brigar ou ficar quietinhos juntos
num sábado à noite
assistir a um programa de televisão
ou ouvir aquela cantora que você acha feia
ou aquela outra que você acha ser um homem

o que eu quero com isso tudo,
se não é andar pra trás na vida
comer o mesmo arroz,
o mesmo macarrão
o mesmo feijão
a mesma carne
e seguir andando pelas mesmas calçadas

o que eu penso em dizer e não digo
recita teu nome numa mensagem de celular
chamar-te em codinome,
usando a palavra ‘meu’ no começo da frase
e podes pensar que é demais tudo isso
eu te deixo pensar qualquer coisa
porque só me importa olhar para o
teu rosto
de perto
ver o caminho do olho para o teu nariz,
afrontoso
que eu adoro
e tua boca falando, falando, falando...
[e eu te interrompendo, com beijos. 
domingo, 21 de agosto de 2011
Meu peito parece que tem energia correndo
E talvez tenha mesmo
Meu corpo quente de nervoso
Eu confuso
Dedos acelerados
Tremendo
Eu acelerado
Com ódio do verbo amar
E o que mais...
Acho que vou explodir. 

SONHEI CONTIGO NA CASA DOS MEUS PAIS


nesse meu sonho de ontem
sonhei que eu era eu mesmo na casa dos meus pais
as coisas se misturavam um pouco
porque não moro com mais pais a mais de 5 anos
mas eu era eu mesmo, coisa que raramente acontece nos meus sonhos

sem te esperar,
você chegava,
estavas tu mesmo em ti,
mesmas feições e gestos, e sutileza em fala
e todos eram todos,
e
negavam todas as minhas investidas em deixar tudo passar despercebido
insistiam todos em um canal de interação
pai, mãe, irmãos, tu,...
dialogando com palavras, olhares
tu eras finalmente intimo, tanto como eles.

teus óculos lua cheia me mostravam tudo que eu queria ser
e não fui.
foi um sonho longo,
sonho de novela ruim, sem problemáticas aparentes:
não tinha vilões, perseguições, ambições, maus entendidos.
éramos todos nós em harmonia no espaço,
como a tela de um pintor antigo apreciada em museu.

eu não buscava resposta, porque não haviam perguntas
hoje eu vendo esse eu mesmo dentro dessas possibilidades
penso que a vida dessa maneira
poderia ser
uma grande baboseira.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011

NADA NÃO



Um tempo me afasta
Sou o poder de ser eu e sermos nós
Uma pedra no canto da casa
Uma palavra que evito pensar:
Uma palavra sentimento:
Uma palavra ridícula:
Uma palavra-México-novela-SBT.

Vou para cama
E penso tudo
Menos em nós...
Preciso dormir. 
sábado, 13 de agosto de 2011

POEMA PSICOGRAFADO DE MIM MESMO


sou eu mesmo que segue em frente,
pé após o outro
sou eu mesmo que olha fotos
ação e abstração
sou eu mesmo pensa em você
no trabalho, na rua
mas não sou eu quem escreve esse poema
de amor, de querer, de fome.

souberas falar as palavras certas
nas horas certas
ligasse quando foi preciso
em aniversários, datas comemorativas.

e cada ação
feita de longe
foi
uma flecha disparada
em direção ao meu peito

sou uma ferida
bem vestida
que anda pelo centro da cidade
buscando de boca em boca
o meu nome
dito
pela tua voz.
terça-feira, 9 de agosto de 2011

MIL AMORES


Eu te amo
Escuta
Eu te odeio
Escuta
Eu quero ser feliz
Não escuta

Não; você não pode saber qual animal ruge em mim,
Quando a luz se apaga e o calor vem com a lua

Meus sonhos são sujos
Tanto quanto os de um assassino
Tive que me reinventar tantas vezes.
Lembra?
Não! Porque você nunca soube de nada.

Para quê?
Não saiba. Não lhe convém.

Afinal
Sou uma puta velha
e gorda
que
roda
a
bolsinha
na esquina.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011

NOITE TEM


um grito
partido
um quilo
um suspiro
um vampiro
um amigo
um perigo
um menino
um abrigo
eu não brigo.
oh minha cara aqui,
pode bater.
bate! 

ARQUITETURA


Eu ainda penso em você
Nas possibilidades e maneiras de beija sua boca e corpo
Penso em curvas também
Uma maneira de lembrar no cara que fez Brasília
Eu quase vivi de desenhar projetos armados com concreto
Mas fui pela outra estrada,  a que tinha sentimentos
E só me sobraram os piores
Tristeza
Solidão
Desamor
Por que não desenhas na minha pele edifícios?
Por que não reparas, tu mesmo, que posso ser eu um Niemeyer?
Não vês que sou um diferente dentre os arts déco?

E o que mais...?
Penso em ligar
Mandar mensagem
Desenhar seu perfil no meu caderno
Meus óculos quebrando
E em prédios da infância.

Não vou bancar o arquiteto
Escolhi a caneta em vez do lápis
Ainda tentei apagar teu nome
Mas a tinta borrou.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A AMANTE DE SATURNO

Como seguir em frente com essa minha cara de quem gosta de amor bandido
Amor nojento, egoísta do outro lado
Eu com essa minha vocação para ser puta
Que ama cafetão barato

Tenho uma constelação na mão
E todo um sistema estrelar no corpo
Como evitar as esquinas?

Sou um erro,
e erro mais ainda dia após dia tentando acertar
Amor bandido que me ameaça com uma arma, cruel.
E sou eu mesmo quem atira na minha mão
Puta barata.
Maquinado todo dia a cicatriz de um corte no rosto,
feita por ele

Sou uma puta de mentirinha
Sou uma cortesã do amor barato
Venham urubus comer minha carne,
O preço a gente combina, pode ser um sorriso, um sonho de valsa,
Pode ser um como você é incrível.
E eu abro as pernas para esse aborto, ao contrário.  
quarta-feira, 3 de agosto de 2011

SIMBORA

PARA ALÉM DO REAL



Por meu olho direito
Por minhas mãos
Por minha sobrancelha esquerda levantada
Por minha calçada de cada dia e pelos meus pés
Pela minha triste infância solitária ouvindo rádio
Por todas minhas mentiras
Eu te amo.

Te amo com quem pensa ao ler um poema de Cecília Meireles
Te amo como quem corre de manhã na praia
Te amo como quem escolhe salada para almoço
Te amo como quem ama sem saber que sabe que ama
Eu te amo como quem não ama a si mesmo
Eu não me amo por te amar

E que você morra só por isso. 

LIGEIRO

Você não entende,
Você não vê
E eu estive nu em todo o processo

Sem vergonha
Com vergonha

Não ser real
Seria muito cruel ser
Num mundo onde os reis ainda existem
E pessoas matam as outras
Realidade
Realeza
Tanto faz o campo semântico
Eu não posso
Sorry

Eu sou um poema

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

OLHOS

Quando falo que estou bem é porque eu não estou
Não falaria tamanha tolice em estado de bem.

Não vistes que tenho olhos tímidos de assassino.
Minha postura de culpa e rancor;
Ar de superioridade falsa.
Tudo é denuncia: Eu não sou bom.
Meu bom é mau.
Minha felicidade é triste.
Eu sou triste.
Eu sou mau.
Mas Deus gosta mim.
Sou criação dele, onde diz todo sentimento é bom.
Sou todo ódio, angústia, rancor e superação.
Sou forte, pois sobrevivo.
E sobreviverei em verdades grandes ou ocultas que insisto em revelar como essa.
sexta-feira, 29 de julho de 2011

Encontro com Arnaldo Antunes

http://www.youtube.com/watch?v=kgRO_Xcw0II&feature=autoplay&list=HL1311994205&index=2&playnext=3

Eu fiquei muito nervoso, acionei o piloto automático e fui. Com a cara e a coragem, me implantei nos bastidores e aconteceu: mais que uma invasão, uma declaração, uns obrigados... 

Festival de Inverno: Campina Grande, 29 de julho de 2011

quinta-feira, 28 de julho de 2011

ABRACADABRA

Cair
Subir
Subir de novo
Subir mais uma vez
E depois crescer muito: ingredientes para a poção mágica que se toma para falar mal de mim.
E eu nem acredito em mágica. 
quarta-feira, 27 de julho de 2011

MOLHO DE TOMATE

Coloco molho de tomate no amor e como.
Amor é massa,
Que cresce, e eu como.
Engordei 6kg no meu ultimo relacionamento
Amor engorda
Engordou meus pais.
Engordou meu cachorro.
Amor é um bomba calórica usada pelos terroristas que não têm medo de morrer
De amor]

REVELAÇÃO DA ÁGUA VIVA

Dizeis:

Que bom poder tomar essa gota de alma virgem
A que se chamam água.

INVENÇÃO DA ALMA

Esse teu peito é frango,
O meu é de peru.

Teu rosto de mentira,
Ri do meu de verdade.

Não tem alma na porta que não tem chave,
Na janela, que não se abre mais, também.

Alma é verbo vivo.
Tem a ver com tempo,
Não o nosso tempo humano.
Alma não é humana.
Um dia resolveram pô-la num papel, e ai inventaram o poema.

POEMA DO ADEUS DE NOVO

Os mesmos dedos que fez nosso encontro acontecer
Traíram-nos ao reproduzir agressões à lógica maior do amor

No conjunto de elementos paradoxais
 [que só o amor entende
Que compreendem, entre outras coisas,
Distância aproximada,
Pensar e não dizer
Dizer e não pensar.
E diz adeus, como quem não diz mesmo,
E não quer,
E diz mesmo sem querer,
E desdiz,
E diz chorando.
Adeus.  Adeus.  Adeus. Adeus...

Olhaste,
Absurdo.
Não deverias ver.
Eu sei,
Tu deverias saber,
E não me detenho mais,
Se não vira amor de novo.
Coisa, que nós humanos, não entendemos.
Adeus mais uma vez.
E eu não quero,
 E quero,
E não posso, por isso posso.
Amor, desamor, amor,
Amor?
Adeus.

Seria impossível terminar um poema de amor de despedida com um adeus.
[o poema não termina] 
terça-feira, 26 de julho de 2011

O MENINO E SEU MAR

O menino tirou toda roupa e entrou no mar.
Ele está nadando em busca de respostas.


O sol toca a sua pele, e o faz esquecer de que um dia já sentiu frio,
Ele se sente livre por estar sem roupas, e sorrir por instantes.


Ele está nadando.
E nadando
Vêm algumas ondas safadas, gulosas que o abala,
Uma onda carente, uma onda invejosa, outra sem noção
Mas ele insiste em si e nada.


Ele aprende cada vez mais nadando.


Quanto mais ele abre os olhos para ver, mais sal entra e arde.
- Feche os olhos menino. Não use os olhos no mar.
Assim você verá melhor.
sexta-feira, 22 de julho de 2011

CARTA PARA A PESSOA QUE ME FEZ ESQUECER MEU NOME


    Oi "Amor", mesmo sabendo o tanto que eu fui ridículo e imbecil essas semanas que trocamos mensagens, eu juro que acreditei que tudo aquilo eu sentia era verdade.
    Eu disse tudo sabendo que no amor não se pode dizer tudo, ... “sempre é preciso manter os três centímetros de distancia do outro” (vi isso num filme de seção da tarde), depois de uma investida, e esperar o feedback para poder prosseguir, afinal adentro de um amor, deve-se acompanhado.
    Sou um homem simbólico, você também é; mas não nota muito. Eu sempre zelando pelo romantismo de merda moderninho ultrapassado, e você correspondendo... E eu quase disse eu te amo (ao menos tive vontade) para uma pessoa desconhecida, acreditando fazer parte de uma história maior, escrita sei lá por quem, por Deus, Buda, ou uma vaca escritora da Índia que acredita em alma gemia.
Eu sou um ridículo, e sempre soube disso, desde que aos 11 anos achei um poema do Fernando Pessoa, e escrevia, mesmo sendo acusado por Ele, cartas de amor ridículas, que nunca foram entregues para sua destinatária, uma menina arrogante e prepotente que eu a achava incrível pelo seu ar frágil de superioridade.
    Não se sinta uma pessoa culpada por não corresponder a esse meu amor extravagante e apocalíptico, a culpa de amar, aqui é minha. Sou eu que mesmo depois de ter aprendido tudo sobre o amor romântico para uma monografia furada, ainda insiste em se apaixonar, e se entregar a essa fome maior, que é se apaixonar do nada.
    Talvez isso aqui não passe de apenas uma confusão barata de um homem carente que esperava uma resposta, ou uma música performática na voz de Maria Bethânia imaginada por mim. E que seja, pois viver é isso também, é ser louco um pouco.  
    Juro a mim mesmo, ao meu coração mole e doido que:
Vou pensar menos em sua boca;
Vou parar de olhar de minha caixa de email atrás de alguma notícia sua;
Vou parar de questionar se meu celular está sem área e
Vou seguir a diante.
Mesmo desejando ficar ao seu lado por toda noite, dormindo e acordando essa verdade mentirosa que é o amor.
    E basta para tanto sentimento, chega! Não é festa, não é carnaval, não é sexta a noite de alguém que dormem mais tarde por não trabalhar aos sábados, não é nem feriado nacional.
    Só sinto que fizemos um grande e bonito castelo de cartas, onde eu pus as minhas mais íntimas, e você só as marcadas, pois quando o vento do litoral soprou, as suas que caíram primeiro, derrubando por ausência de alicerceis as minhas que ainda tentaram se segurar, antes da história acabar. E acabou.


Pernambuco, 23 de Julho de 2011
A.D.
segunda-feira, 11 de julho de 2011

AMOR@

O Hipocondria Literária este mês consolidou mais uma vontade minha, que é de fazer vídeos poemas a partir dos textos contidos aqui. Que:
não pretendem ser perfeitos;
não pretendem ser bons;
não pretendem seguir a ordem maior da poesia;
não pretendem nem ser poesia.

Assim feitos por mim com ajuda ou não de outros, vocês conferem curtas produzidos por aí.

Esse foi feito com Célia Nascimento, numa tarde fria de Campina Grande.

Confiram AMOR@:

 

domingo, 10 de julho de 2011

MARIA(S) DE DEUS

Maria matou Maria.
Maria transou com Maria.
Maria teve filhos.
Maria não teve nada.
Maria comprou um cachorro.
Maria pegou um gato.
Maria subiu no pé de manga.
Maria comprou um sapato scarpin.
Maria ama o mar.
Maria levou uma surra.
Maria deu em duas pessoas no mesmo espaço de tempo.
Maria roubou um coração. E acabou com um milhão.
Maria quer, depois de dizer não obrigada.
Que Maria tenha sempre, mais e mais, meu Deus.
sábado, 9 de julho de 2011

Mentira?!

E se eu disser que sempre soube que era tudo mentira, e mesmo assim topei. E mesmo assim insisti em prosseguir. E mesmo assim sorri.
E se eu disser que prefiro a mentira. E na mentira me encontro.
Você acharia que tudo era mentira?!

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