sexta-feira, 30 de setembro de 2011

QUANTO QUE É?



quanto é que vale teu nome?
no mercado de pulgas de paris
quanto é que vale aquele bilhetinho?
que você fabricou pra mim
quanto é que vale o amor?
lá no afeganistão
quanto é que vale uma tabuada?
na era da informação
quanto é que vale e se é por quilo?
quanto que vale a solidão?
e a solução?
se tiver.

quanto é que vale um vale?
um vale de refeição.
quanto é que vale você?
você só de calção.

quanto é três,
vezes eu
vezes tu,
vezes ninguém?

quanto é que vale a dois?
se pra mim a três compensa mais, meu bem.
quanto é que vale assim?
se você só quer assado
quando vale para o fim?
se eu já estou cansado. 
quinta-feira, 29 de setembro de 2011

FOSTE TU MESMO QUEM ESCREVEU ISSO



e a palavra que derrama da boca da artista
solta para aqui em casa
e desmantela tudo
é desconcertante ouvir-se
na boca de alguém conhecido e desconhecido ao mesmo tempo: a artista.

tu no canal em entrevista
ao diabo talvez
seria tu
embora eu não existisse

mas eu
sem tu
seria outro
não esse outro aqui
que soma experiência
e guarda personagens
seria o próprio
como num poema de Cecília Meireles

e tu fica ai, na capital
do teu orgulho mesquinho
pensando em mim
em vão
não sou eu
não sou mais.

POEMA DESCONCERTADO



eu te dou meus sentimentos e
você
pisa neles como se fosse a cabeça de uma boneca de porcelana
da tua mãe dada de avó para filha por gerações

porque teu sorriso solto naquela noite
soltou os demônios mais profundos do meu peito
deus parou para ver o desmantelo
e eu
aqui sorrindo sem sobra
como um personagem francês que ama uma desconhecida
numa noite escura e fria e depois morre por ela

não era para ir tão longe
mas não pude evitar em usar as pontes
depois as escadas rolantes
e por fim a carona no teu carro
que nem era teu,
do teu pai
não teu
como eu
agora
embora
não
sendo
do
teu pai
nem seria.

ONDE ESTARÁS



percorro os espaços em busca alguma coisa que me lembre de você
mas não há
são outros os espaços
outros retratos que nãos os teus, da tua mãe, do teu cachorro – minto, porque tu nem tinhas
por que andastes pelos anéis de saturno?
se eras Apolo e Adônis
se tinhas um visto de certo no teu caderno da infância
e outro no de agora

porque se tu foi
se tu não há mais
se não insistes mais
eu não posso.

pego o ônibus
depois carona
depois regresso
e não estás.

mais que a vida que não tive
e que não quero mais
mais que o nome que não dei aquele filho que não tive
e não quero mais
tudo:
porque os escudos estão quebrados. 
segunda-feira, 12 de setembro de 2011

NÃO TEM TÍTULO OU TEM?


e essa vontade de te ligar e de dizer eu te amo
e essa outra
de se você não atender
dizer
pra mim mesmo
eu quero que você morra

se meu estomago fica nervoso
por sua causa
e
se
eu procuro você 

nas outras pessoas

depois 

que descobri que gosto
de ti
beijei
e
transei 

somente com você
mesmo que
sozinho
ouvindo
a Elis,
ou
com outras pessoas:
outras bocas,
outras mãos,
outras pernas,
outros sexos,
mas
sempre
você.

eu te amo,
e
que
o inferno
me espere
por tanta blasfêmia
e pecado.


domingo, 11 de setembro de 2011

É

você deveria me amar mais,
me babar mais,
me dar mais presentes,
ser mais presente ainda,
me olhar, e deixar que eu te veja mais
teu perfil, relevo, curvas
deverias sim paquerar comigo,
como fazem os namorados,
ou os pais com um filho novinho.
deverias ser, também, mais compreensível comigo
passando sempre a mão na minha cabeça
é
você mesmo,
deus.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011

PESSOAS LEGAIS NÃO DIZEM ‘EU SOU LEGAL’


você não entende nada, não é?!
eu sempre do seu lado,
do nosso lado.
e você não se lembra de todos os sentimentos
que foram usados sem camisinha
e me deixa com esse mau hálito de origem estomacal

é, meu corpo todo
denuncia que
não sei ficar nervoso

é tremedeira
estomago agitado
vômitos
crises
de garganta
de insônia

sou tudo aquilo que anuncio
nos mais algo das minhas (aparentes) ironias
e você?
insiste em ser legal,
legal.

e eu?...
o que mais?...
depois disso?...

só espero que o próximo avião caía em cima da sua cabeça,
que não sabe apreciar um poema lido
por um namorado. 
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