domingo, 28 de agosto de 2011

MEU BEM QUE É MEU MAL


eu não queria dizer
mas tudo em mim que me cala
chama pelo teu nome
meu ficar quieto num canto
chama teu nome
meu mau hálito estomacal
chama teu nome
meu parar de batucar nas coisas
chama teu nome

chama para ficar fazendo sei lá o que
brigar ou ficar quietinhos juntos
num sábado à noite
assistir a um programa de televisão
ou ouvir aquela cantora que você acha feia
ou aquela outra que você acha ser um homem

o que eu quero com isso tudo,
se não é andar pra trás na vida
comer o mesmo arroz,
o mesmo macarrão
o mesmo feijão
a mesma carne
e seguir andando pelas mesmas calçadas

o que eu penso em dizer e não digo
recita teu nome numa mensagem de celular
chamar-te em codinome,
usando a palavra ‘meu’ no começo da frase
e podes pensar que é demais tudo isso
eu te deixo pensar qualquer coisa
porque só me importa olhar para o
teu rosto
de perto
ver o caminho do olho para o teu nariz,
afrontoso
que eu adoro
e tua boca falando, falando, falando...
[e eu te interrompendo, com beijos. 
domingo, 21 de agosto de 2011
Meu peito parece que tem energia correndo
E talvez tenha mesmo
Meu corpo quente de nervoso
Eu confuso
Dedos acelerados
Tremendo
Eu acelerado
Com ódio do verbo amar
E o que mais...
Acho que vou explodir. 

SONHEI CONTIGO NA CASA DOS MEUS PAIS


nesse meu sonho de ontem
sonhei que eu era eu mesmo na casa dos meus pais
as coisas se misturavam um pouco
porque não moro com mais pais a mais de 5 anos
mas eu era eu mesmo, coisa que raramente acontece nos meus sonhos

sem te esperar,
você chegava,
estavas tu mesmo em ti,
mesmas feições e gestos, e sutileza em fala
e todos eram todos,
e
negavam todas as minhas investidas em deixar tudo passar despercebido
insistiam todos em um canal de interação
pai, mãe, irmãos, tu,...
dialogando com palavras, olhares
tu eras finalmente intimo, tanto como eles.

teus óculos lua cheia me mostravam tudo que eu queria ser
e não fui.
foi um sonho longo,
sonho de novela ruim, sem problemáticas aparentes:
não tinha vilões, perseguições, ambições, maus entendidos.
éramos todos nós em harmonia no espaço,
como a tela de um pintor antigo apreciada em museu.

eu não buscava resposta, porque não haviam perguntas
hoje eu vendo esse eu mesmo dentro dessas possibilidades
penso que a vida dessa maneira
poderia ser
uma grande baboseira.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011

NADA NÃO



Um tempo me afasta
Sou o poder de ser eu e sermos nós
Uma pedra no canto da casa
Uma palavra que evito pensar:
Uma palavra sentimento:
Uma palavra ridícula:
Uma palavra-México-novela-SBT.

Vou para cama
E penso tudo
Menos em nós...
Preciso dormir. 
sábado, 13 de agosto de 2011

POEMA PSICOGRAFADO DE MIM MESMO


sou eu mesmo que segue em frente,
pé após o outro
sou eu mesmo que olha fotos
ação e abstração
sou eu mesmo pensa em você
no trabalho, na rua
mas não sou eu quem escreve esse poema
de amor, de querer, de fome.

souberas falar as palavras certas
nas horas certas
ligasse quando foi preciso
em aniversários, datas comemorativas.

e cada ação
feita de longe
foi
uma flecha disparada
em direção ao meu peito

sou uma ferida
bem vestida
que anda pelo centro da cidade
buscando de boca em boca
o meu nome
dito
pela tua voz.
terça-feira, 9 de agosto de 2011

MIL AMORES


Eu te amo
Escuta
Eu te odeio
Escuta
Eu quero ser feliz
Não escuta

Não; você não pode saber qual animal ruge em mim,
Quando a luz se apaga e o calor vem com a lua

Meus sonhos são sujos
Tanto quanto os de um assassino
Tive que me reinventar tantas vezes.
Lembra?
Não! Porque você nunca soube de nada.

Para quê?
Não saiba. Não lhe convém.

Afinal
Sou uma puta velha
e gorda
que
roda
a
bolsinha
na esquina.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011

NOITE TEM


um grito
partido
um quilo
um suspiro
um vampiro
um amigo
um perigo
um menino
um abrigo
eu não brigo.
oh minha cara aqui,
pode bater.
bate! 

ARQUITETURA


Eu ainda penso em você
Nas possibilidades e maneiras de beija sua boca e corpo
Penso em curvas também
Uma maneira de lembrar no cara que fez Brasília
Eu quase vivi de desenhar projetos armados com concreto
Mas fui pela outra estrada,  a que tinha sentimentos
E só me sobraram os piores
Tristeza
Solidão
Desamor
Por que não desenhas na minha pele edifícios?
Por que não reparas, tu mesmo, que posso ser eu um Niemeyer?
Não vês que sou um diferente dentre os arts déco?

E o que mais...?
Penso em ligar
Mandar mensagem
Desenhar seu perfil no meu caderno
Meus óculos quebrando
E em prédios da infância.

Não vou bancar o arquiteto
Escolhi a caneta em vez do lápis
Ainda tentei apagar teu nome
Mas a tinta borrou.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A AMANTE DE SATURNO

Como seguir em frente com essa minha cara de quem gosta de amor bandido
Amor nojento, egoísta do outro lado
Eu com essa minha vocação para ser puta
Que ama cafetão barato

Tenho uma constelação na mão
E todo um sistema estrelar no corpo
Como evitar as esquinas?

Sou um erro,
e erro mais ainda dia após dia tentando acertar
Amor bandido que me ameaça com uma arma, cruel.
E sou eu mesmo quem atira na minha mão
Puta barata.
Maquinado todo dia a cicatriz de um corte no rosto,
feita por ele

Sou uma puta de mentirinha
Sou uma cortesã do amor barato
Venham urubus comer minha carne,
O preço a gente combina, pode ser um sorriso, um sonho de valsa,
Pode ser um como você é incrível.
E eu abro as pernas para esse aborto, ao contrário.  
quarta-feira, 3 de agosto de 2011

SIMBORA

PARA ALÉM DO REAL



Por meu olho direito
Por minhas mãos
Por minha sobrancelha esquerda levantada
Por minha calçada de cada dia e pelos meus pés
Pela minha triste infância solitária ouvindo rádio
Por todas minhas mentiras
Eu te amo.

Te amo com quem pensa ao ler um poema de Cecília Meireles
Te amo como quem corre de manhã na praia
Te amo como quem escolhe salada para almoço
Te amo como quem ama sem saber que sabe que ama
Eu te amo como quem não ama a si mesmo
Eu não me amo por te amar

E que você morra só por isso. 

LIGEIRO

Você não entende,
Você não vê
E eu estive nu em todo o processo

Sem vergonha
Com vergonha

Não ser real
Seria muito cruel ser
Num mundo onde os reis ainda existem
E pessoas matam as outras
Realidade
Realeza
Tanto faz o campo semântico
Eu não posso
Sorry

Eu sou um poema

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

OLHOS

Quando falo que estou bem é porque eu não estou
Não falaria tamanha tolice em estado de bem.

Não vistes que tenho olhos tímidos de assassino.
Minha postura de culpa e rancor;
Ar de superioridade falsa.
Tudo é denuncia: Eu não sou bom.
Meu bom é mau.
Minha felicidade é triste.
Eu sou triste.
Eu sou mau.
Mas Deus gosta mim.
Sou criação dele, onde diz todo sentimento é bom.
Sou todo ódio, angústia, rancor e superação.
Sou forte, pois sobrevivo.
E sobreviverei em verdades grandes ou ocultas que insisto em revelar como essa.
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