sábado, 27 de fevereiro de 2010

Fevereiro de 2010

Nunca houve heróis no meu mundo. Mesmo querendo questionar cenicamente o que era seria a mancha que se movia no céu, dramaticamente: é um pássaro, um avião, não é o Super Alguma Coisa, que veio para nos proteger. Apenas vítimas, apenas vilões. Aprendi da forma mais horrorosa que se poderia aprender. Por semanas, em meses, em anos, fui vítima. E vítimas não têm direito a gargalhadas, não riem só choram e são tristes.


Leio Nietzsche e passo a escrever protagonista em vez de vilão e a culpar somente as vítimas, somente elas, como se fossem masoquistas esperando sempre de quatro pela próxima chibata. Tenho medo e sofro como todo mundo, não sou um super homem, nem aquele perfeito cretino que minha mãe planejou para eu ser. Mas não se engane, já deixei de ser vítima a muito tempo, não permitiria levar uma próxima chibatada, eu correria, partiria para cima do agressor, ou até mesmo levaria outra chibatada, se assim quisesse, é claro.

Sofro muito, como todo mundo sofre. Nenhuma dor é maior que a outra, cada dor faz gemer de uma forma diferente em cada pessoa. Temê-la é compreensivo, se entregar também. Só que uma hora a lagrima seca, e se custar, não temam, pensem como eu talvez possa ser até ser positivo, “um homem com uma dor é muito mais elegante”.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

MAIO DE 2007

Não houve traição de minha parte.


Eu tinha 18 anos, era maio, e meu coração acelerou:

Foi um beijo criminoso, foi uma transa criminosa,

Somente eu estava livre para amar.



O que houve foi amor.

Desses instantâneos que ficam pronto em 3 mim.


Mãos na parede,

preservativo foi-se usado,

gemidos recitados,

ora medo, ora dor, mas, mais que tudo, prazer.



Em cima de tudo, indo para longe de tudo.

... ética, consciência, bom senso, não bastaram.

Eu já tinha feito antes, sabia onde pôr,

Dentro de mim, há diversos Eu

apenas o Eu Sensato, predominante no meu corpo,

dizia não faça isso, será horrível.

Enquanto Eu Criminoso dizia vai! E recitava os gemidos.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
De repente não tenho mais nome, não sou mais eu. Não era para ser tão dramático assim, eu sou bem realista. Mas acho que são as circunstancias que me detém e me fazem se anular perante a vida. Estou doente, não é tão grave a ponto de morte certa, muito pelo contrário é leve o suficiente a ponto de passar-se despercebida.



Meu nariz escorre gotas aceleradas, que por mais que detidas pelo lenço de papel poroso, me faz lembrar de outrora, na infância onde uma mãe extremamente carinhosa o limpava sem lenço algum. Não era para ser tão fácil morar sozinho, pensou que assim diz a vida. Que se mostra sensata e perfeitamente justa, não tenho o luxo de viver feliz somente, sem conflito, em êxtase lícito. Talvez ninguém tenha. Por isso os desastres, por isso as coisas ruins.


A gripe alérgica faz doer meu corpo, meus olhos, me esconder da luz e cego fico perdido. Há quem não se acostume com a escuridão. Eu fico desnorteado.



Mas aqui eis que surge, depois de um salto de energia insana, a premência de respirar. Trazendo-me por um segundo o conforto. Não chega a ser tão ridículo assim escrever sobre uma gripe.


5 de fevereiro de 2010. 22:19h
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