sexta-feira, 23 de julho de 2010

AMOR VELHINHO

Um amor velho voltou a bater na porta.

Abri a porta
o mandei entrar e ele subiu pro quarto.
Tirou a roupa e deitou na cama,
Fizemos amor.
O amor velho ficou mais novo, rejuvenesceu.
Mas ainda era o mesmo amor velho,
e depois de algumas palavras pesadas ficou num canto
calado.

Eu pensei em mandar ele embora,
Mas ele dormia tão quietinho no canto da cama.

Ele tem a pele tão formosa, que me faz esquecer
tanta tristeza vinda dele.

Eu venho mantendo a esperança, dele ir embora, à base de músicas e poemas.
Um dia ele morre,
Morre sim, já está velhinho...
sábado, 17 de julho de 2010

DEUS SALVE O REI

O mensageiro trouxe a notícia
Ela vem.
Meu reino todo treme.
Alguma coisa parece que o ameaça.
Ele teme, ele teme.

Mas eu deixo.
Deixo chegar perto,
Deixo até sentar ao lado no trono.
Mesmo por um tempo preciso:
Rei e Rainha.

Ainda está muito cedo para alguém ocupar o lugar da rainha morta.
Mas tenho que tentar.

Vê se a comida agrada.
Vê se a cama agrada.
Vê que rainha é essa.

O reino todo se prepara para a chegada.
Mesmo tremendo, eles todos puseram enfeites nas ruas.
O castelo está limpo, e os serviçais dispostos.
Que tudo dê certo, meu Deus.
sexta-feira, 9 de julho de 2010

ARTE EM PAINT

Arte de viver na arte de ser.
Ser não implica em viver.
Bastaria um sonho para explicar.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

PROTEÇÃO REFLEXIVA

Quem é esse agora,
Que toma minha mão,
E me conforta?

Ele que tem o dom de olhar dentro de mim.
Toma-me com calor e me conforta com um pai.
Quando eu desabo em choro: ele sorrir, pra dizer que não é nada tão sério assim.
Ele entra pela porta, quando ninguém vê.
Conta-me aquele segredo da infância.
Que ninguém sabe.
Que ninguém viu.
Que eu comportei com um príncipe destemido.

Ele parece ser mais velho do que eu.
Ele parece ser mais novo também.
Ele mora dentro de mim.
Será uma alma de um antepassado que insiste em me proteger?
Será Deus pai, cuidando do filho?
Não; não. Ele é...
Ele é...
Ele sou Eu.
Irmão mais velho de mim mesmo.
terça-feira, 6 de julho de 2010

HORA DE DEIXÁ-LO IR (JULHO DE 2010)

Você gosta de Drummond?
Sabe quem é Adélia Prado?
Já chorou lendo Cecília Meireles?
Então para de pensar nele!
Você não o merece. Ele vive a base de poesia.


Você parou o que estava fazendo pra escutar Nina Simone?
E de tarde, num domingo qualquer, mentiu pra seus amigos pra ficar em casa viajando na música de Piaf?
Rita Lee ditou como deveria amá-lo, você a escutou?
Você nem sabe que ele é todo Adriana Calcanhotto...
Ele tem Arnaldo Antunes no sangue, então o deixe ir.
...você não o merece!


Sabe aquele quadro da Menina diante do espelho de Pablo Picasso na parede do quarto dele
Não está lá de propósito, você nem se preocupou em saber o porquê dele.
Ele te ama por um amor diferente, de arte,
E você procurando entender numa lógica banal para tanto amor.


Ele é arte, ele é sentimento, é emocional.
Que lógica infeliz é essa que você tanto quer ver nele.
Deixe-o passar. Ele tem história. Ele tem conteúdo: Poesia e tudo aquilo que é maior que a lógica.


Deve-se fechar os olhos para vê-lo
Deve-se tocar nele para escutar o que ele diz.
Deve-se despir de tudo que é lógico para entendê-lo.
Ou é só esperar ele ir de vez, desta vida,
Como um artista que morre e é reconhecido.
sexta-feira, 2 de julho de 2010

DE PÉS DESCALÇOS

Os espaços estão maiores.
Tanto quanto o tempo.
Parece que estou me perdendo quando olho a minha volta.
Queria correr para algum lugar, mas não sei onde.
Queria que tivesse alguém para me ajudar, pra me proteger de mim mesmo evitando-me perder.

Eu olho para os lados, e não vejo coisas boas.
O que vejo são apenas tentativas de mudar.
Não queria mudar. Mas se faz preciso.

Começo a correr desesperadamente.
Estou à busca de esconderijo.
Estou descalço.
Estou cansado.
Só sei que sou forte e corajoso o suficiente de não desistir tão cedo.
Eu morreria tentando.

Vejo bem longe uma mulher amorosa, protetora e sábia,
Mas quando a vejo melhor ela está de braços cruzados.
Não sei aonde ir. Não quero ficar no mesmo lugar.

Insisto por um dia de domingo, sem pressa, sem medo.
Insisto por alguém que não vem mais. Que morreu.
Insisto por uma música antiga.
E pela esperança de encontrar um abrigo.
quinta-feira, 1 de julho de 2010

AMOR EM VERMELHO



O Amor deu um telefonema,
O outro não atendeu.
Amor mandou mensagem,
O outro não respondeu.



O Amor ficou com raiva, com ódio, com medo.
Mas como era o Amor,
ligou de novo, o amor sempre liga mais uma vez.
Esperou, e foi atendido.
Tudo em vão.
Ninguém queria o amor,
O Outro queria a Paixão, a Aventura; Amor não!
Não!



Eu não entendo muito bem de amor,
Mas só sei que ele está em casa, no quarto, mais vermelho do que nunca.
Vermelho de vergonha, de amor e de sangue.
Tecnologia do Blogger.

Inscreva seu email, baby.

Seguidores

Hipocondria Literária Popular

Ocorreu um erro neste gadget