quinta-feira, 28 de outubro de 2010

APARELHO ORTODÔNTICO

O dor voltou a rondar meus dias
Ferros de metal foram arquitetados na minha boca.
Sinto pontas como agulhas,
gosto de sangue
Minha voz mudou, um tom de tristeza ficou mais evidente nos enunciados.

Meu sorriso não é o mesmo
Mas eu nunca gostei de sorrir mesmo.

Vou comprar uma caixa de chocolates
E um suco natural de laranja.
Preciso cuidar de mim mesmo, me mimar.
Tornar meus dias menos doloridos.

Se a dentista não sorrir pra mim no próximo encontro
Eu a mordo.  
terça-feira, 12 de outubro de 2010

É O NOME DA CIDADE

A cidade é grande. É uma campina numa serra.
Estou numa das pontas do mundo. 
E posso vê-lo daqui.

Têm pessoas gentis, pessoas não gentis.
Problemas e vitórias; 
Verdades e mentiras.
Não é uma cidade meu Deus, é um mundo. 
É grande, é grande.

Têm dialetos percorrendo todo o espaço.
É um sonhar acordado.
São dèjá vus múltiplos.

Têm  duas palavras a cidade:
Uma de agricultura, outra de medida. 
É grande, é grande.

Se eu falar mal dela, ai de mim, o mundo termina.
domingo, 10 de outubro de 2010

CAVALOS MARINHOS CAVALGAM PELO AR NO MEU QUARTO (MADRUGADA)

Cavalos marinhos cavalgam pelo ar no meu quarto.

Alguma coisa não me deixa dormir.
Ela me perturba com agonias:
Era um passado de outra pessoa.
Era um monte amores perdidos, e eu só tenho um.
Era um castelo medieval explorado e só fui até São Paulo.
Era uma música entendida em francês, e eu só no português.
Era uma luz no meu quarto escuro.
Uma gota pingando no dia mais quente do ano.
Era um riso no funeral.
Era ninguém lamentando por todo mundo.
Eu me via em outros.
Eu não sei o que é:
Se é poesia de morto,
Se é música de vivo.
Só sei que são três horas da manhã, e eu preciso dormir.
sábado, 9 de outubro de 2010

DOIS VOCÁBULOS, DUAS PALAVRAS, UM NOME (Um nome por vez.)

Estou me reconhecendo,
É como se meu nome, agora, passasse a ter mais sentido pra mim.
Sinto meu nome no meu rosto, nos meus olhos.
Coisa que não sentia antes.

Na conta certa da música ambiente.
Tenho dois nomes, em nível de pronúncia.
Um francês,
Um inglês.

Mas se bem, que vendo de perto. E por dentro.
Dois nomes seriam pouco
para a legião de moradores do meu corpo.

Muitos em um. Mas um por vez.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010

NOTÍCIA RETIRADA DE UMA PÁGINA POLÍCIA. (ROXO)

A lágrima salgadíssima que desceu pelo rosto.
Voltou.
Ela tinha uma faca na mão e sangue na roupa.
Era outubro.
E ninguém a culpou quando soube dos olhos roxos.
terça-feira, 5 de outubro de 2010

PRECE Nº 8

Para teu nome na minha vida.
Esquece pai, mãe, Deus.
Esquece-te: infância, adolescência, sonhos.

Estou aqui.
Estou aqui, como quem morre amanhã.
Estou aqui te esperando a vinte minutos.
Como quem espera para morrer amanhã.
Vem logo com a espada numa mão e o escudo na outra.
Vem de cavalo branco, de trem, de mentira.
Vem pelo telefone celular.
Numa mensagem, num recado.
Vem com uma faca e me mata. De mentira.
Me mata que sou só verdade, e não me agüento nisso.

Eu que esqueço meu nome.
Eu que perco minhas chaves.
Eu que atirei uma pedra no céu. Pra ver se caia um anjo.

Se acaso não encontrar-me em casa.
Não me procure nas respostas.
Eu não acredito em respostas.
Eu estou nas perguntas.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010

ESPELHO

Espelho, espelho meu. 
Se trinca e mostra o tanto de gente que mora neu.

NO PREPARO CERTO

Bastou um momento em silêncio
para que todos pudessem notar a ausência dele.
Não é dele que eu me refiro.
É a mim.
Alguma coisa sem explicação.

Deus que consome porque sou comida.
E de comida eu entendo muito bem.
Quero servir a Deus no melhor momento.
Não no preparo. Mas posto à mesa.

Não haverá choro nem vela.
No máximo apareço nos sonhos, de figurante.
Enquanto alguém tenta lembrar o meu nome.

Da imagem para o original eu peço:
– Deus come a gente, para a gente virar Deus.
No processo certo que lembra uma máxima,
De comerciais de coisas que ajudam a emagrecer,
“você é aquilo que você come.”
Tecnologia do Blogger.

Inscreva seu email, baby.

Seguidores

Hipocondria Literária Popular

Ocorreu um erro neste gadget