quarta-feira, 28 de novembro de 2012

VERDADE SECRETA


Quer saber minha verdade secreta, então tá, embora saiba que verdades são derrubadas, e de que pouco servem, aí vai: Eu não desisto. Eu corro muito. Luto sempre, por tudo (mesmo coisas pequenas, mesmo grandes). E nado. Nado. Nado. Nado até chegar. Se não chego, ou se saberei do momento exato da câimbra total, da fadiga absoluta dos músculos. Ainda sim não desisto, e sempre, e num momento absurdo de sanidade, aplicada, atiro meu corpo para a corrente mais próxima em direção à praia, ou pego carona numa onda e vou. E vou. E vou morrer na praia. É coisa de sobrevivente, sabe, mas é coisa também de terminar histórias, coisa de narrador. Quando acaba (acabo/morro) fico livre do resgaste, qual almejava. Estou, agora, boiando sob o sol quente com a boca ressecada, querendo aquele help. Acho que morrerei em breve, é, sim, eu quero. Já morri outras e foi até bom, liberar aquele precioso espeço no HD da vida, enterrar aquela parte minha que gemia e fedia, uma parte moribunda tuberculosa, cretina, que não pensava mais... E das partes que morreram, fora a histórias pra contar, eu guardo orações, ainda rezo, é verdade. E tem os retratos (alguns queimei). 
terça-feira, 27 de novembro de 2012

ALLOMZ

Não me coloque em altares

Não sou santo
Mas também o mal, eu não prático
Vou reto em zigue e zague
Maneira minha de ser e continuar
Embora lutos, embora prêmios
Eu lembro de você me olhando
E não olhando ao mesmo tempo, disfarce
Mas os dias e os discos arranharam
E o dia manhãceu
Eu manhãcei
E noitecei
E clareou algumas coisas
Outras todas, elas por elas se apagaram
É tarde para dizer que poderemos ser
Juntos
Já não estamos
Não me sonhe
O sonho é comigo
Deixe que eu sonhe por nós
sexta-feira, 23 de novembro de 2012

IMPOSSÍVEL CONTE O VENTO (VENTE-SE)

Sabe o que eu penso?
Nada
Nada
As coisas voando
O tempo voando
E não voando também
E eu mais que voando
Virando ar
Virando vendo e indo
Indo
E chegando
Em tudo
E sempre
Mesmo onde não me aguardam
E ora poeira
E ora chuva
E ora rostos e cabelos dançantes
Que procuram motivos pra dançar
E se rebelar
Como eu
Virando vento.  

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

AINDA SIM

Não posso de deixar de sentir sua presença, embora distância, barreira, pessoas, você ainda existe. Respira, come, trabalha, dorme... e eu sei, você vive. E talvez eu não, ainda. Mas eu melhoro. E poderemos, então, ser não mais que (doces e mentirosas) lembras (educadas para uma não grosseira troglodita).
quinta-feira, 15 de novembro de 2012

AE


Os astros precisam dormir sossegados
Ainda tem neguinho chorando de noite
E fingindo ser feliz de manhã, para a labuta passar sem perguntas
E ligeiro
É difícil viver com os pés no lugar das mãos
Mas eu sei me virar muito bem
Brasileiro é isso mesmo: Curupira, Saci Pererê
E a Iara
Fazer o quê?
Eu sei, eu sei: É pra ser feliz
Eu tô tentando, oras!
Deixa ae os astros dormirem sossegados
Ai quem sabe eu te ligo
Numa dia ae
Pra contar do dia
E mentir da noite.

ASSIM

O Teu nome é uma história
Imaginada
No mês de junho
Por um garoto
Que não
Conseguia
Dormi
segunda-feira, 12 de novembro de 2012

OU NÃO

E você percebe que as coisas simplesmente mudaram. Embora o azul continue sendo azul e o vermelho, vermelho. Você se olha no espelho e erra ao que a memoria não alcança. Entende? Não entenda. Essas coisas não são pra entender, é daquelas que sabemos sem saber, sabe? Numa quase personificação cômico-crítica de uma personagem do Ariano Suassuna. E eu detenho essa escrita inútil, pelo simples fato de que as coisas mudam, e se pra o bem ou pra o mal, não importa, seria outra história. Eu só estou assustado, num talvez processo já conhecido pelo Kafka ou não. Bom ou não. Não sei. Mudou tudo. Tudo. E o susto aumenta, ainda, porque não posso se quer esboçar um projeto contábil das coisas que mudaram. Talvez eu não me conheça o suficiente. Talvez sim e o algum medo secreto dite regras ou apenas esteja traumatizando o processo de reconhecimento.
...Talvez seja só drama meu mesmo.

GIM


e sim, você poderia existir
por aqui
perto aqui
logo aqui
onde estou

não, eu não poderia mais sofre
poderia me transformar
em água do mar, que deixa o sal
e vira chuva,
que anda no vento
e que te encontra
ou vive a te buscar

e o sol pode sim nos unir
logo a mim, que de ti, bem ou mal
vive assim
procurando pelo teu sinal
que de ti
não pra mim
mas assim
roubado por um instante muito louco
que passou. 
quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Que time é teu?


      Eu torço pra você. É sério, eu sempre estou do seu lado. Se você fecha os olhos poderá até sentir a minha respiração, como uma participação de força na sua longa e dura jornada, que talvez nem seja tão dura e longa assim, como é para o João Pé de Chão que cata papelão na rua para sustentar muitas pessoas que como ele tem o pé no chão. E mesmo parecendo um tanto comunista não o sou. Sou muito ao contrário, gosto do capitalismo, dou valor aquele filho do João Pé de Chão que fará, como muito sacrifício, uma faculdade e construirá uma família ou não, eu torço por ele também. Torço muito também para os cobradores de ônibus, especificamente, os que são atenciosos a informações sobre pontos de “onde-deve-se-descer.” Embora torcendo eu, para tanta coisa, posso garantir que não sou um bom torcedor de futebol – na verdade, odeio futebol. Pelo simples fato que enquanto eu em estado de exaltação, pro bem ou pro mal, estarei ficando cada vez menos rico (por não me ocupar) enquanto eles, os jogadores, empresários e Marias-Chuteiras estarão ficando mais ainda milionários. Será que eu torço pro time errado?
Tecnologia do Blogger.

Inscreva seu email, baby.

Seguidores

Hipocondria Literária Popular

Ocorreu um erro neste gadget