quinta-feira, 28 de junho de 2012

3X4

Queimei o seu 3x4 aqui dentro
lá fora choveu
mas molhou um pouco ainda aqui dentro
tem nada não
amanhã seca 
quarta-feira, 27 de junho de 2012

madrugada



Como 
dormir 
se a paixão
ronca 
bem alto. 
Ela anda sonhando com amor.

Te escrevo agora
Te escrevo nessa tentativa insana de te colocar aqui
Num momento
Num poema
Num esquema
Tão meu
E só meu
Você aqui
E talvez só aqui
Mas aqui, aqui, aqui,
E quantos aqui necessários para tornar você aqui
Uma opção
Você quase virou canção
Mas posso te ver aqui.
segunda-feira, 25 de junho de 2012

EU ESPERO


Não sei contabilizar
Eu me apaixonei de novo ou na verdade sempre gostei de você
As vezes eu quis ficar sozinho e deixei você me esperando
Inventei que tinha discos voadores do mal rodando minha rua
Mas agora eu só tenho cabeça para você

Beijo seu olho e você me beija depois
Na boca
Só que mais timidamente
Meio resistindo aos seus fantasmas internos

Queria uma outra vez
Outro dia a sós
E sei que posso te esperar por outra vida
Outros tempos
Não sei, mas chuto que nós já tivemos algo antes
Antes de nos conhecermos

Os seus braços me confortam
Mas é cedo demais pra dizer eu te amo
Eu nem sei de nada da gente
Ou sei tudo e não quero dizer
Talvez sejam meus sonhos cruéis e egoístas
De compra um carro, um apartamento e um cachorro
Mesmo sentindo que seria feliz com você em uma cidadezinha do sertão
Num quitinete com ar-condicionado.


sexta-feira, 22 de junho de 2012

EU VOU PARA O SÃO JOÃO



Hoje eu vou para festa de São João
E prometo ser o homem mais lindo e feliz
Embora você, embora mágoa e tristeza
Sairei de casa ao avesso de mim
Sorriso no rosto obrigatório
Se acaso precisar despirei meu corpo numa cama
Com a madrugada
E eu e os meus sinais
E o prazer quase de carnaval se não fosse o nome santo
Acontecerão
Assim pretendo
E tenho fé 
Maria, Nossa Senhora mora em mim
E o meu corpo não é pecado
Porque pecado, agora, é só amar você
Vou me concentrar em não te amar por hoje.
quarta-feira, 20 de junho de 2012

AGORA EU



Penso em você ou no suicídio
Não o de me matar
Mas o de amar, de deixar de ser um para ser dois
De usar o plural constantemente

Te deixo passar agora por mim
Vão lembranças
Bilhetes
Músicas
Ruas inteiras
O seu odeio da Maria Bethânia, a qual a amo
E Camille e Nina Simone só pra mim
Sem as justificativas recorrentes para “ela é doida?” e “é um homem?”
Eu e minha cultura que me cabe
Monet, Picasso, Tarsila
Eu amo a Tarsila do Amaral
Adoro falar dela e vê os desenhos redondos e me teletransportar
Para as ruas dos sítios, das cidadezinhas de interior
A grande metrópole
Comer o homem, eu aprendi com Ela
Adoro comer
Como, como, e como tudo que quero
E quem eu quero
Eu sou ou já fui a Tarsila do Amaral

Mas e você....
Você fica no final do poema
Que acaba como eu e você.
segunda-feira, 18 de junho de 2012

MÚSICA CALMA



Não sai palavras da boca da apresentadora
Os carros não tocam o chão fazendo barulho
Quem dança, dança rápido demais para ritmo calmo
As pessoas mais lentas e nem tristes e nem felizes

Tudo tão calmo e pardo  
Tudo azul grande e forte num zum
Ação cantada num tom alto
Mais alto que as ações escutam
Ou fingem escutar

E nesse descompasso
Eu passo eu fico me ligo
Um sonho assim roubado
Cecilia Meireles e o céu
Com ela a noite eu não consigo dormir

Indo em frente como em mim é involuntário
Que eu já não consigo mais sentir
E assim perdido ou achado
Continuo os passos todos eles por mim..

[e os dias e os astros e as cores dos céus, e tudo isso que eu tentei colocar aqui.].
terça-feira, 12 de junho de 2012

Carta Maligna de Amor

Campina Grande, 12 de junho de 2012

Ainda,
Escrevo-te porque te amo Ainda, e esse processo é difícil de entender. Irei explicar. É o seguinte, o ato de te escrever não é o mecânico e notório ato da escrita para alguém, essa carta não será enviada para você, não fará parte da coletânea mundana romântica de escreve carta para Alguém. Escrevo-te aqui como projeto simples e catártico, de extinguir sua imagem nos meus dias e pensamentos, de informar meu emaranhado de neurônios que você não existe mais em minha vida e por isso pedir para eles usarem o bom senso e parar de vez com os sonhos românticos e amorosos. Isso mesmo, porque romântico é uma coisa e amoroso é outra.
Você sempre se conteve em ser amoroso comigo. Eu sempre beijando seus olhos e provocando participações, as quais nunca existiram.
Se te amo agora, é por insistência do sentimento da teimosia. Você não me quer e deixou isso bem claro no email, que me mandou por ultimo. Eu engoli cada palavra e depois vomitei, ou defequei... Acho que defequei mesmo aquele seu email, porque tenho certeza que ele passou pelo meu estômago provocando a estranha gastrite que menti para todos dizendo que era estresse, e nem era, nem era estresse, era amor, ou mau amor, ou não amor comigo mesmo.
Mas sei que estou mudando, as vezes me pego me paquerando um pouco. Dei de comer ao meu corpo e arrumei diversão pra ele esses dias. Você poderia morrer de ciúmes e inveja se soubesse o que eu fiz... Fui até feliz esses dias, muito feliz, gritei de felicidade, mas o ponto alto desse gráfico desse sentimento tinha uma proximidade íntima com o desespero.
E trabalho constantemente contra o verbo da vingança, pensamentos como “eu quero que você morra” ou pensar em atirar em você antes de dormir são trocados com orações e intimidades com Deus. Esse que se mostrou um grande amigo, e irmão. Acho que evolui um pouco, em pensar em Deus como irmão e não como pai. Talvez ele me recompense por isso, em fazê-lo rejuvenescer uns milênios.
E ao seu novo amor, que sei que tem um dos meus nomes, além da morte e desastre desejo felicidade. Nessa confusão louca e absurda de me sentir substituído por cor, tamanho e nome. Procuro não pensar nessa alma, que nem sonha ser o substituto escolhido, o qual a distância o elegeu como dublê.  E assim eu assumo todos os meus sentimentos menos a pena. Condeno a pena, se eu senti-la terei vergonha e não direi.
Caso um dia você leia essa carta, e espero que você a leia mesmo, espero estar totalmente livre, como os bilhetes e dedicatória de amor que você fez pra mim, e que estão agora no lixo, sendo reciclado por alguma cooperativa de catadores.  

O diabo me perseguindo, 
A. F.


domingo, 10 de junho de 2012

[O símbolo matemático de não pertence dá título a este poema.


Passado o teu caminho
Eu num caminhão indo pro norte
Sou destino e coragem
Uma noite numa pousada e alguns mosquitos
E posso ser ainda mais eu
Tomando sozinho um café de manhã
Na Bahia
Ou em Belém
E você em Brasília com seu novo amor
Mofando nas coisas pequenas que você gosta e prega
E a luz nova que me clareia
Molha o meu caminho de esperança e descoberta
Deixo-te em lembrança morta
Rasgado todo junto do bilhetinho de amor que ganhei no meu aniversário
E jogue no lixo.

[O símbolo matemático de não pertence dá título a este poema.]
quarta-feira, 6 de junho de 2012

CG


Teus sentimentos andam perdidos pelo céu de Campina Grande
Numa manhã da Paraíba com nuvens azul-cinzentas
É difícil pensar em você, necessito de antiácido e chocolates
Você mora em algum lugar longe de mim
E o mundo acontece triste por isso
Mas acontece, e ninguém o evita
Os santos não entendem
Deus não se cuida em explicar
Será que você morreu, meu bem?!
Pergunto, e sei a resposta
Mas ainda te sinto a noite, a tarde, e todas as manhãs
Numa ordem absurda
Nunca ordem maldita
Ditada pelo coração

E os discos voadores ainda voam por aqui
Nesta cidade de nostalgia romântica com balões de são joão
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